Simbologia dos Divinos Raios de Luz: Azul e Verde

Olá, queridos jardineiros! Hoje inicio aqui no Grande Jardim este estudo profundo onde esta eterna aprendiz que vos escreve traça um paralelo filosófico entre a simbologia dos Raios de Luz com passagens bíblicas e a sabedoria das antigas tradições, sincretizando também os Chakras e a Cromoterapia. A proposta desse estudo é integrar os saberes para que possamos compreender em profundidade como atuam os Divinos Raios de Luz e como eles se manifestam em nós e por meio de nós. Começo esta série de estudos abordando o Raio Azul e o Raio Verde. Espero que este artigo possa ser edificante em seus estudos e te convido a compartilhar suas reflexões e pensamentos conosco nos comentários 😉

Raio Azul: São Miguel Arcanjo

“O Amor ao Divino e ao Sagrado como Caminho de Vida”

A Luz do Raio Azul ativa em nós a força, vontade e a fé. É a vitória da Luz sobre as Trevas. Como virtude é a coragem que liberta. O São Miguel Arcanjo que triunfa sobre o dragão – visto como um modelo angélico para as virtudes do “guerreiro espiritual”, em guerra contra o mal, por vezes também visto como sendo a “batalha interna” – a que enfrentamos individualmente entre nossa personalidade e a nossa essência, que tanto deseja ser integrada e manifesta através do Divino em nós. É interessante associar aqui neste estudo como o Raio Azul também ilumina o Chakra da Garganta e o Chakra Frontal (terceiro olho) – ambos tem como elemento o Éter. O Chakra da Garganra representa o som, a vibração e junto com o Chakra Frontal exprime nossa capacidade de receber, assimilar e comunicar. Aqui podemos correlacionar esses aspectos: dependemos do Éter (visto em tradições antigas como um símbolo do sopro divino, e em alguns textos é por vezes considerado o próprio Espírito), para observar a realidade, e assim assimilar os fatos e responder à eles. É aí que entra a nossa força e vontade para manifestar (comunicar), superando os desafios com fé e evoluindo eternamente. Indo mais além, o Azul também simboliza a esperança, o amor das obras divinas, sinceridade e piedade. Integrando os conhecimentos, podemos dizer que o Raio Azul nos revela o dom de perceber o certo e o errado, ou seja, a Inteligência – escolher dentre, separar o joio do trigo e em atos e palavras agir nessa sabedoria. Nesse momento, inevitavelmente me vêm a passagem bíblica em que o Senhor através do verbo, deu Luz ao mundo; em Gênesis Deus disse: “Faça-se a luz!” E a luz foi feita. 1:3 Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas. 1:4

Em outras linhas de estudos vemos o Raio Azul sendo associado ao Orixá Ogum, que também é um arquétipo de guerreiro espiritual e comumente é sincretizado à São Miguel Arcanjo na Umbanda. Já no Hinduismo, temos o Deus Shiva – que possui um pescoço azul por ter bebido um oceano de veneno para salvar a humanidade, o que me leva a pensar no aspecto da piedade, justiça e sabedoria divina desse Raio.

As propriedades de cura do Raio Azul se relacionam então as virtudes e qualidades citadas acima, nos auxiliando com a proteção de São Miguel Arcanjo com sua a Espada do Amor à Sabedoria e o Escudo da Coragem e da Fé para realizar as mudanças necessárias em nosso caminho evolutivo. Este Raio também nos ajuda a reconhecer nosso verdadeiro propósito em vida e a curar nossa comunicação. Na Cromoterapia pode ser usado para reduzir a ansiedade, a angústia, o medo e as aflições.

Raio Verde: São Rafael Arcanjo

“Amar Tuas Virtudes e através da Sabedoria, Agir em Amor”

O Raio de Luz Verde ativa em nós a verdade, o autoconhecimento e a cura. É a Luz da Cura de Deus, São Rafael Arcanjo – portador da virtude da cura, do dom da transformação, da beleza curativa – geradora de harmonia. A força do Raio de Luz Verde é a da Verdade e quando associado ao sistema de Chackras, essa luz ilumina o Chakra Cardíaco (Coração) – tem como elemento o Ar e representa o Amor Incondicional. Para muitas tradições, o Coração é considerado o grande elo do nosso corpo físico com os sutis. Nas tradições cristãs, o símbolo do coração é visto como o cálice onde se recebe a Água Viva que é a própria Verdade de Deus. Quando associamos esses aspectos e simbologias, podemos compreender que é a Verdade que possibilita o autoconhecimento e a cura, pois sem reconhecermos a Verdade de nosso coração, a cura não é possível. João 8:32 – Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. Só quando nos permitimos à adentrar o nosso templo interior em busca da verdade é que podemos acessar a Fonte de Água Viva e curar nossas dores, traumas e fragilidades, mas também nos relembrar de nossas qualidades, dons e virtudes. Assim, liberamos todas as mentiras e enganações que haviam se erguidos como muros em volta do nosso centro divino. Indo além, o Verde também simboliza a imortalidade, a vitória da vida sobre a morte, pois aquilo que pensamos que seria nossa morte (ao nos deparar com nossas sombras), na Verdade nos transforma em um corajoso pilar de força e luz. Essas são as curas físicas e espirituais através do poder de Deus. Integrando os conhecimentos, podemos dizer que o Raio Verde nos revela o dom da sabedoria do coração, o discernimento de saber orientar e escutar, de animar a fé e a esperança das pessoas. Só quando conhecemos a Verdade do nosso coração é que somos capazes de orientarmos bem a nossa vida e a de quem nos pede um conselho.

Em outras linhas de estudos vemos o Raio Verde sendo associado ao Orixá Oxóssi, que também é um arquétipo de conhecimento e de cura. Interessante notar que há algumas imagens de São Arcanjo Rafael onde ele porta uma espada ou flecha afiada – e a flecha é um dos elementos também do Orixá Oxóssi, porém este Arcanjo é comumente sincretizado com outro Orixá, assim como Oxóssi se sincretiza com São Sebastião. Já no Budismo, temos a Tara Verde – deusa da compaixão universal, da iluminação e das ações virtuosas. Diz-se que ela é a mãe de todos os Budas. A palavra Tara significa “libertadora”. 

As propriedades de cura do Raio Verde se relacionam então as virtudes e qualidades citadas acima, nos libertando através da Verdade do Amor Incondicional que nos ensina a compaixão e o perdão. Purifica e harmoniza nossas emoções, trazendo luz à consciência centrada no coração. Na Cromoterapia, a luz verde pode ser usada para tranquilizar a mente, reduzir o estresse e restaurar o equilíbrio.

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Ahoo! Que bela semente aqui no Jardim. É com muito Amor & Gratidão que me coloco para servir à Sabedoria, sendo esta o farol que ilumina a humanidade. Porém, cabe à cada um de nós meditar e refletir sobre os ensinamentos e principalmente, colocá-los em prática afim de evoluirmos. SOMOS UM.

Artigo por YanRam para O Grande Jardim.

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O caminho do Guerreiro Sagrado: onde o Herói e o Curador convergem

“É melhor ser um guerreiro em um jardim do que um jardineiro em uma guerra” ~ Parábola Zen

O jardim é uma metáfora para a interconexão de todas as coisas e o guerreiro e o curador são arquétipos da nossa consciência que se manifestam em nós e através de nós. Mas, a maioria dos guerreiros desconhece a interconexão da teia da vida e, por tanto, desconhece o jardim. Um guerreiro que desconhece o jardim é apenas um bruto – a coragem está ali, mas lhe carece a compaixão. Esse tipo de guerreiro é um tanto profano e isso se dê talvez por ignorância ou por algum tipo de repressão interior. Porém, mesmo desconhecendo o jardim, isso jamais os desconectará da grande teia da vida. Todos sempre estaremos ligados ao Todo, sabendo disso ou não.

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Guerreiros Sagrados, por outro lado, compreendem que o jardim é o mais importante. Eles sabem que o seu caminho no jardim começou com o nascimento, desenvolvimento em saúde, equilíbrio e disciplina, e também sabem que terminarão no jardim com a morte como adubo para novos ciclos de vida e saúde. Mas para esse guerreiro, o caminho é claro. É através do amor. O amor é uma espada do guerreiro; onde quer que corte, dá vida, não morte. É aí que o Herói e o Curador se convergem, no jardim da mortalidade.

O Jardim da Mortalidade

“Os guerreiros vivem com a morte ao seu lado, e por saberem que a morte é sua companhia, eles criam coragem para enfrentar qualquer coisa, pois o pior que pode nos acontecer é morrer, mas esse já é o nosso destino inalterável, por tanto, somos livres, já não temos mais nada a temer.” ~ Carlos Castaneda

Enquanto o herói reúne coragem e a força de compreender as cinzas da morte, o curador reúne a saúde e interconexão do adubo da morte. Ambos se unem para se tornar o guerreiro sagrado. O jardim da mortalidade é por tanto, a eterna dança entre a vida-morte-renascimento e os guerreiros sagrados conhecem bem essa dança, e a respeitam. Eles honram a mortalidade e prestam homenagem à finitude ao mesmo tempo que contemplam o Infinito. Caminham conscientes da morte, pois a morte os ensina a viver. Isso lhes dá perspectiva. Desatando os nós com um punhal de amor, eles aprendem a viver bem para eventualmente bem morrer. Sua mortalidade é auto realização. Aqui, o guerreiro está em paz com o fato de que vai morrer, e é justamente essa paz que transforma o medo em combustível de coragem.

O Jardim das Sombras

“Nossa imaginação voa – somos sua sombra na terra.” ~ Vladimir Nabokov

Onde o herói integra a sombra para transformar demônios em diamantes e o curador integra a sombra para transformar feridas em sabedoria. Ambos se unem para se tornar o Guerreiro Sagrado.

O jardim das sombras é a última encruzilhada existencial. Guerreiros sagrados o frequentam para descobrir o renascimento. É no jardim das sombras que o guerreiro egocêntrico comum morre, e o guerreiro sagrado nasce com uma perspectiva centrada na alma. O jardim das sombras é diferente para cada guerreiro, mas sempre está envolto à experiências e questões espirituais e existenciais.

Noites escuras da alma são predominantes. A morte do ego é comum. A aniquilação é onipresente. Após o casulo, a sombra se torna para sempre uma aliada do guerreiro sagrado. A morte e as trevas são honradas. A dor e sofrimento são integradas. Sombra e luz se confundem. Coragem e força combinam-se com compaixão e abertura do coração para criar a vulnerabilidade absoluta da Alta Graça.

O Jardim do Desapego

“Busque a liberdade e torne-se cativo de seus desejos. Busque a disciplina e encontre sua liberdade.” ~Frank Herbert

Onde o herói pratica o desapego para encorajar a disciplina e a tolerância, o curandeiro pratica o desapego para inspirar disciplina e mente aberta. Ambos se unem para se tornar o guerreiro sagrado.

O jardim do desapego é um pivô espiritual para um crescimento superior. Guerreiros sagrados aqui vem para aprender cultivo, perspicácia e responsabilidade. Aqui, a disciplina é mais importante e é o segredo do desapego. E o segredo da disciplina é a prática. Mais especificamente, a prática que vem de uma rotina saudável. Compreendendo que é preciso ceifar hábitos que não fazem mais sentido ou não estão mais alinhados com o seu caminho, remover as ervas daninhas que sugam sua energia, permitindo que seu jardim interior floresça.

Guerreiros sagrados inspiram disciplina na rotina de cultivo do jardim, e é essa rotina que cria um crescimento desvinculado de si mesmo, onde o resultado não é associado ao seu crescimento e auto valor. É um tipo de crescimento que personifica o jardim e não o ego. Dessa forma, não se torna egoísta ou arrogante. A auto preservação fica em segundo plano, dando espaço para a auto superação.

O Jardim do Serviço

“Estratégia é um processo mental no qual sua mente se eleva acima do campo de batalha. Você tem uma sensação de um propósito maior para sua vida, onde você quer estar no caminho, o que você decidiu realizar. Isso torna mais fácil decidir o que é realmente importante, quais batalhas evitar. Você é capaz de controlar suas emoções, de ver o mundo com um grau de desapego.” ~Robert Greene

Onde o herói se torna um com todas as coisas (Deus) para honrar a humanidade através da segurança e da liberdade, o curador se torna um com todas as coisas para curar a humanidade através do amor e do serviço. Ambos se unem para se tornar o guerreiro sagrado.

Armado com a Morte como uma bússola, a Sombra como uma aliada e o desapego como uma disciplina, o guerreiro sagrado descobre o propósito mais elevado do eu como jardim e do jardim como eu.

No jardim do serviço superior, os guerreiros sagrados têm a coragem de se fazer as perguntas difíceis: “Seu caminho tem coração?” “Você está vivendo sua melhor vida?” “Sua vida tem propósito e significado?” E então eles têm a audácia de reverter essas questões na humanidade.

Guerreiros sagrados lutam pela humanidade e curam a sociedade através do poder do amor incondicional. Eles são principalmente uma força da natureza (a personificação do próprio jardim). Eles refletem o jardim para a humanidade como um espelho, refletindo as qualidades curativas e implacáveis ​​do jardim. Eles são mecanismos de nivelamento social da mais alta importância, ensinando como a humanidade está doente enquanto também tentam protegê-la de outras doenças.

Seu serviço dá ao seu propósito uma clareza que atravessa todas as coisas. Suas mentes estão claras. Suas almas são afiadas. Seus corações são antifrágeis. Com o abismo atrás deles, o horizonte está bem em frente, aberto e expansivo. O amor deles é incondicional. Sua força é implacável. O curador rega as raízes do herói. O herói abre o terceiro olho do curador. Juntos eles permanecem, vigilantes em sua proteção vital do jardim.

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Ahooo ~~ ❤ Que a força do amor, da coragem e da verdade sejam nossos escudos e espadas nessa linda caminhada que é viver na Terra, nosso grande jardim.

Artigo por Gary Z McGee em @Fractal Enligment. Tradução de YanRam para O Grande Jardim.

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