O Poder Curativo do Perdão

Todos nós, durante a nossa vida, desde o momento de nossa concepção no ventre materno, sofremos influências de acontecimentos que nos marcam mais ou menos profundamente: traumas, mágoas, etc. Muitas vezes não percebemos sua influência em nossa vida, pois são conteúdos que ao longo do tempo permanecem em nosso subconsciente e por isso mesmo, podemos ter dificuldade de identificá-los, combatê-los e principalmente, curá-los. Dentre tudo o que nos bloqueia, uma das coisas mais frequentes é a mágoa para com os irmãos, para consigo mesmo e até para com Deus.

Trazendo isso para uma perspectiva individual e coletiva, vamos lembrar de como atualmente vivemos em um mundo globalizado que sempre tem alguma crise no horizonte, seja ela uma possível recessão global, guerra, COVID, climas políticos cada vez mais polarizados, enfim… Parece que estamos mais em desacordo com nossos semelhantes do que nunca. A mídia social tornou ainda mais fácil para amigos, parentes e estranhos nos ofenderem. Mas e se guardar rancor estiver impedindo você de encontrar a verdadeira paz e felicidade? Dizem que “o ressentimento é como beber veneno e esperar que a pessoa morra ”. Se o ressentimento é um veneno, talvez o perdão seja o antídoto.

Para ilustrar bem o que estamos falando, vamos usar um exemplo de perdão público de nossos tempos que chocou a sociedade, mas que tem muito a nos ensinar. O congressista da Geórgia, John Lewis, é um ativista dos direitos civis afro-americano que sofreu uma opressão indescritível no sul americano racialmente dividido da década de 1960. Cerca de 30 anos depois de ter sofrido uma surra severa por defender a solidariedade pela igualdade racial, ele escreveu um (agora famoso) artigo de opinião para  o The New York Times após a morte de um de seus perseguidores políticos mais declarados.

No artigo, Lewis surpreendeu à todos quando ofereceu palavras não de ódio contra o homem, mas de alívio e perdão de bom coração.

Caso você não esteja familiarizado com esse detalhe específico da história americana, o ex-governador do Alabama, George Wallace, foi considerado por muitos como uma das vozes mais firmemente segregacionistas da época. Mas em vez de envergonhar o legado de Wallace em um dos jornais de maior circulação do mundo, Lewis (que cresceu assistindo Wallace promover a divisão entre negros e brancos no cenário nacional), perdoou aberta e publicamente seu ex-arquirrival para grande surpresa do povo americano. Lewis destacou a incrível transformação que observou em Wallace depois de finalmente conhecê-lo pessoalmente pela primeira vez em 1979. Lewis escreveu sobre como Wallace havia mudado e agora buscava perdão por tudo o que havia prejudicado, expressando profunda tristeza e remorso pelo que havia feito.

Lewis se lembra de ter sentido um profundo sentimento de empatia por Wallace em seu estado de humilde remorso, levando-o a perdoar Wallace ali mesmo. A beleza dessa troca e como ela amoleceu o coração de ambos os homens, abrindo a porta para a verdadeira reconciliação, é capturada nesta simples frase escrita por Lewis:

Quando conheci George Wallace, tive que perdoá-lo, porque fazer o contrário? Odiá-lo? Apenas perpetuaria o sistema maligno que procuramos destruir.”

John Lewis para o New York Times.

O perdão promove a reconciliação e a paz

Depois disso, não importava mais todas as coisas horríveis que Wallace havia feito durante seu mandato político para lutar contra os direitos civis; pelo menos não em termos do legado que ele deixaria na mente de Lewis. Isso porque Lewis, como admitiu abertamente em seu artigo, reconheceu no fundo do coração que todo ser humano tem a capacidade de mudar para melhor.

E mais importante, que a graça e o perdão são os motores mais poderosos dessa mudança. Não só naqueles a quem são concedidos, mas também na pessoa que os concede.

Esta é a essência do perdão: estender a graça aos outros e deixar de lado as maneiras pelas quais eles o prejudicaram, a fim de promover a reconciliação e a paz.

No caso de Lewis, o perdão talvez tenha vindo muito mais fácil porque Wallace não era mais o que era antes, pois havia aberto olhos para o fato de que seus erros anteriores precisavam ser corrigidos. Mas mesmo que Wallace não tivesse passado por essa dramática mudança de vida, o perdão ainda seria do interesse de Lewis. Não apenas por causa de sua consciência, mas também por sua própria paz de espírito.

O perdão é a mais pura expressão do amor, pois é a compreensão de que cada ser age conforme à consciência que possui naquele dado momento e de que todos possuímos as falhas e imperfeições, mas que também estamos em eterno aprendizado e desenvolvimento. Perdoar é libertar o seu ser e o outro. É aprender e deixar o outro livre para aprender também.

Guardar rancor corrói você

O perdão é uma via de mão dupla. Tem o poder de curar tanto o perdoador quanto o perdoado, e isso é algo que muitos de nós muitas vezes esquecemos. Guardar rancores e reprimir emoções negativas que vêm de ressentimentos do passado só piora a situação para aquele que foi ferido em primeiro lugar, e no final, isso te corrói emocional e fisicamente. Sabemos que o corpo físico é totalmente influenciado por nossa psique, nossa saúde é integral e envolve todas as partes do nosso ser constituído. O rancor e a mágoa pode desencadear diversas doenças psicossomáticas e influenciar negativamente a forma como interagimos com o mundo e com a própria vida.

Para encontrar a libertação e superar as feridas do passado, é absolutamente vital aprender a perdoar aqueles que o prejudicaram e deixá-lo ir. A Bíblia descreve esse processo como “oferecer a outra face”, que envolve não apenas tratar os outros como você gostaria de ser tratado (mesmo quando eles o tratam de maneira injusta), mas também reconhecer que todos nós somos imperfeitos e precisamos de perdão.

Na prática, é agir em amor e desapego. Seja deixando de lado a raiva, o ressentimento, a amargura ou um sentimento de necessidade de “se vingar” de alguém por magoá-lo ou traí-lo. Quando você deixa de perdoar, acaba se machucando mais do que a pessoa que te machucou. Mas quando você aceita o perdão, você libera toda a dor, angústia e bagagem que, se não forem curadas, interferem em seu bem-estar emocional, espiritual e físico.

O perdão sana as feridas do coração

Vemos ainda hoje tantos corações endurecidos e amargurados nesse mundo e se formos listar aqui todas as reverberações disso em nível coletivo e individual este artigo não teria fim. Mas percebe como uma emoção leva à outra? Como somos influenciados diretamente pelo o nosso coração? Da mágoa e do ressentimento surge o medo, a aflição, a raiva, etc. Agora imagine suas emoções como uma esfera de energia, crescendo e expandindo, tocando a forma que você vê e lida com a vida.

Agora eu te pergunto, te surpreende ainda haver tantas guerras e conflitos nas relações humanas? rs. Será que algo seria diferente se houvesse mais perdão na sociedade? Por esse belo exemplo que trouxemos de John Lewis, eu acredito que sim.

Mas o perdão é um ato deliberado da nossa vontade – é só se quisermos.

Temos de decidir, tomar essa decisão para perdoar as pessoas que nos ofenderam, as que nos maltrataram, as que nos magoaram, as que nos injustiçaram, que nos roubaram. Perdoar está além do nosso sentimento, está além de nossas suscetibilidades. E talvez seja essa uma das razões do porque perdoar possa ser tão difícil as vezes, pois para tal, precisamos aceitar nossas vulnerabilidades, nossos medos e fragilidades. É preciso abrir o coração. Como já dizia Bob Marley, “ser vulnerável é a única maneira de permitir que seu coração sinta a verdadeira alegria“, e abrir o coração na jornada espiritual, muitas vezes significa também quebrá-lo, ou seja, permitir ser atravessado pela dor, aprender com ela e transformá-la em amor e perdão.

É na abertura do coração ao amor e ao perdão que somos agraciados com uma vida de paz e felicidade verdadeira, pois agora já não nos pesam mais as feridas, agora já aprendemos a ter compaixão e humildade.

Mesmo que você não consiga esquecer, aprenda a perdoar

O velho ditado “perdoe e esqueça” soa bem, mas vamos encarar: esquecer nem sempre é viável. Traumas emocionais e físicos graves podem causar danos duradouros. Tanto que esquecer verdadeiramente que eles aconteceram às vezes é uma impossibilidade. Perdoar aquela pessoa que te feriu também não significa necessariamente uma reaproximação.

Mas a parte do perdão é sempre  possível e é a única maneira de finalmente liberar a dor e a opressão causadas por aquela ofensa “imperdoável”. Lembre-se: não se trata de  justificar o mau comportamento de outra pessoa contra você, mas sim  liberar  toda a energia negativa que ela enviou para você, a fim de que você encontre a paz. Isso, por sua vez, ajudará seus outros relacionamentos, promoverá o seu bem-estar espiritual e psicológico, reduzirá o estresse e a pressão sanguínea, aumentará sua imunidade e ajudará a trazer alegria e felicidade duradouras à sua vida.

Algumas dicas úteis para aprender a perdoar:

  • Reflita sobre suas próprias falhas e pense em situações em que você precisou do perdão de outra pessoa. Fazer isso o ajudará a ter empatia por outra pessoa que pode precisar do seu perdão.
  • Considere o valor imensurável e o poder do perdão, tanto para você quanto para os outros.
  • Pare de pensar em si mesmo como uma vítima e comece a assumir uma postura moral elevada em todas as situações em que se sentir ofendido ou prejudicado. Fazer isso ajudará a liberar o controle opressivo que a ofensa de outra pessoa exerce sobre sua vida.
  • Escolha ativamente perdoar para perpetuar uma cultura de reconciliação, cura e paz. Ahh como nosso mundo precisa dessas coisas, não é?

Em uma nota final e importante…

Frequentemente, os “rancores” mais prejudiciais que guardamos são contra membros de nossa própria família e amigos do passado, cujas transgressões contra nós anos ou décadas atrás são ainda mais dolorosas porque eram pessoas em quem confiamos.

E muitas vezes essa raiva e angústia prejudiciais estão enterradas tão profundamente que não percebemos o quanto isso está nos prejudicando. Isto é, até que conscientemente “olhemos nos olhos” do nosso coração, reconheçamos a raiz do sofrimento e decidamos deixar ir e perdoar.

~*~

Artigo elaborado por YanRam para O Grande Jardim.

Fontes: The New York Times; Wake Up World; Aprendizados pessoais e estudo do livro “Na força do Amor e do Perdão” de Maria Gabriela Oliveira Alves, editora Palavra & Prece.

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Simbologia dos Divinos Raios de Luz: Azul e Verde

Olá, queridos jardineiros! Hoje inicio aqui no Grande Jardim este estudo profundo onde esta eterna aprendiz que vos escreve traça um paralelo filosófico entre a simbologia dos Raios de Luz com passagens bíblicas e a sabedoria das antigas tradições, sincretizando também os Chakras e a Cromoterapia. A proposta desse estudo é integrar os saberes para que possamos compreender em profundidade como atuam os Divinos Raios de Luz e como eles se manifestam em nós e por meio de nós. Começo esta série de estudos abordando o Raio Azul e o Raio Verde. Espero que este artigo possa ser edificante em seus estudos e te convido a compartilhar suas reflexões e pensamentos conosco nos comentários 😉

Raio Azul: São Miguel Arcanjo

“O Amor ao Divino e ao Sagrado como Caminho de Vida”

A Luz do Raio Azul ativa em nós a força, vontade e a fé. É a vitória da Luz sobre as Trevas. Como virtude é a coragem que liberta. O São Miguel Arcanjo que triunfa sobre o dragão – visto como um modelo angélico para as virtudes do “guerreiro espiritual”, em guerra contra o mal, por vezes também visto como sendo a “batalha interna” – a que enfrentamos individualmente entre nossa personalidade e a nossa essência, que tanto deseja ser integrada e manifesta através do Divino em nós. É interessante associar aqui neste estudo como o Raio Azul também ilumina o Chakra da Garganta e o Chakra Frontal (terceiro olho) – ambos tem como elemento o Éter. O Chakra da Garganra representa o som, a vibração e junto com o Chakra Frontal exprime nossa capacidade de receber, assimilar e comunicar. Aqui podemos correlacionar esses aspectos: dependemos do Éter (visto em tradições antigas como um símbolo do sopro divino, e em alguns textos é por vezes considerado o próprio Espírito), para observar a realidade, e assim assimilar os fatos e responder à eles. É aí que entra a nossa força e vontade para manifestar (comunicar), superando os desafios com fé e evoluindo eternamente. Indo mais além, o Azul também simboliza a esperança, o amor das obras divinas, sinceridade e piedade. Integrando os conhecimentos, podemos dizer que o Raio Azul nos revela o dom de perceber o certo e o errado, ou seja, a Inteligência – escolher dentre, separar o joio do trigo e em atos e palavras agir nessa sabedoria. Nesse momento, inevitavelmente me vêm a passagem bíblica em que o Senhor através do verbo, deu Luz ao mundo; em Gênesis Deus disse: “Faça-se a luz!” E a luz foi feita. 1:3 Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas. 1:4

Em outras linhas de estudos vemos o Raio Azul sendo associado ao Orixá Ogum, que também é um arquétipo de guerreiro espiritual e comumente é sincretizado à São Miguel Arcanjo na Umbanda. Já no Hinduismo, temos o Deus Shiva – que possui um pescoço azul por ter bebido um oceano de veneno para salvar a humanidade, o que me leva a pensar no aspecto da piedade, justiça e sabedoria divina desse Raio.

As propriedades de cura do Raio Azul se relacionam então as virtudes e qualidades citadas acima, nos auxiliando com a proteção de São Miguel Arcanjo com sua a Espada do Amor à Sabedoria e o Escudo da Coragem e da Fé para realizar as mudanças necessárias em nosso caminho evolutivo. Este Raio também nos ajuda a reconhecer nosso verdadeiro propósito em vida e a curar nossa comunicação. Na Cromoterapia pode ser usado para reduzir a ansiedade, a angústia, o medo e as aflições.

Raio Verde: São Rafael Arcanjo

“Amar Tuas Virtudes e através da Sabedoria, Agir em Amor”

O Raio de Luz Verde ativa em nós a verdade, o autoconhecimento e a cura. É a Luz da Cura de Deus, São Rafael Arcanjo – portador da virtude da cura, do dom da transformação, da beleza curativa – geradora de harmonia. A força do Raio de Luz Verde é a da Verdade e quando associado ao sistema de Chackras, essa luz ilumina o Chakra Cardíaco (Coração) – tem como elemento o Ar e representa o Amor Incondicional. Para muitas tradições, o Coração é considerado o grande elo do nosso corpo físico com os sutis. Nas tradições cristãs, o símbolo do coração é visto como o cálice onde se recebe a Água Viva que é a própria Verdade de Deus. Quando associamos esses aspectos e simbologias, podemos compreender que é a Verdade que possibilita o autoconhecimento e a cura, pois sem reconhecermos a Verdade de nosso coração, a cura não é possível. João 8:32 – Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. Só quando nos permitimos à adentrar o nosso templo interior em busca da verdade é que podemos acessar a Fonte de Água Viva e curar nossas dores, traumas e fragilidades, mas também nos relembrar de nossas qualidades, dons e virtudes. Assim, liberamos todas as mentiras e enganações que haviam se erguidos como muros em volta do nosso centro divino. Indo além, o Verde também simboliza a imortalidade, a vitória da vida sobre a morte, pois aquilo que pensamos que seria nossa morte (ao nos deparar com nossas sombras), na Verdade nos transforma em um corajoso pilar de força e luz. Essas são as curas físicas e espirituais através do poder de Deus. Integrando os conhecimentos, podemos dizer que o Raio Verde nos revela o dom da sabedoria do coração, o discernimento de saber orientar e escutar, de animar a fé e a esperança das pessoas. Só quando conhecemos a Verdade do nosso coração é que somos capazes de orientarmos bem a nossa vida e a de quem nos pede um conselho.

Em outras linhas de estudos vemos o Raio Verde sendo associado ao Orixá Oxóssi, que também é um arquétipo de conhecimento e de cura. Interessante notar que há algumas imagens de São Arcanjo Rafael onde ele porta uma espada ou flecha afiada – e a flecha é um dos elementos também do Orixá Oxóssi, porém este Arcanjo é comumente sincretizado com outro Orixá, assim como Oxóssi se sincretiza com São Sebastião. Já no Budismo, temos a Tara Verde – deusa da compaixão universal, da iluminação e das ações virtuosas. Diz-se que ela é a mãe de todos os Budas. A palavra Tara significa “libertadora”. 

As propriedades de cura do Raio Verde se relacionam então as virtudes e qualidades citadas acima, nos libertando através da Verdade do Amor Incondicional que nos ensina a compaixão e o perdão. Purifica e harmoniza nossas emoções, trazendo luz à consciência centrada no coração. Na Cromoterapia, a luz verde pode ser usada para tranquilizar a mente, reduzir o estresse e restaurar o equilíbrio.

~*~

Ahoo! Que bela semente aqui no Jardim. É com muito Amor & Gratidão que me coloco para servir à Sabedoria, sendo esta o farol que ilumina a humanidade. Porém, cabe à cada um de nós meditar e refletir sobre os ensinamentos e principalmente, colocá-los em prática afim de evoluirmos. SOMOS UM.

Artigo por YanRam para O Grande Jardim.

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O caminho do Guerreiro Sagrado: onde o Herói e o Curador convergem

“É melhor ser um guerreiro em um jardim do que um jardineiro em uma guerra” ~ Parábola Zen

O jardim é uma metáfora para a interconexão de todas as coisas e o guerreiro e o curador são arquétipos da nossa consciência que se manifestam em nós e através de nós. Mas, a maioria dos guerreiros desconhece a interconexão da teia da vida e, por tanto, desconhece o jardim. Um guerreiro que desconhece o jardim é apenas um bruto – a coragem está ali, mas lhe carece a compaixão. Esse tipo de guerreiro é um tanto profano e isso se dê talvez por ignorância ou por algum tipo de repressão interior. Porém, mesmo desconhecendo o jardim, isso jamais os desconectará da grande teia da vida. Todos sempre estaremos ligados ao Todo, sabendo disso ou não.

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Guerreiros Sagrados, por outro lado, compreendem que o jardim é o mais importante. Eles sabem que o seu caminho no jardim começou com o nascimento, desenvolvimento em saúde, equilíbrio e disciplina, e também sabem que terminarão no jardim com a morte como adubo para novos ciclos de vida e saúde. Mas para esse guerreiro, o caminho é claro. É através do amor. O amor é uma espada do guerreiro; onde quer que corte, dá vida, não morte. É aí que o Herói e o Curador se convergem, no jardim da mortalidade.

O Jardim da Mortalidade

“Os guerreiros vivem com a morte ao seu lado, e por saberem que a morte é sua companhia, eles criam coragem para enfrentar qualquer coisa, pois o pior que pode nos acontecer é morrer, mas esse já é o nosso destino inalterável, por tanto, somos livres, já não temos mais nada a temer.” ~ Carlos Castaneda

Enquanto o herói reúne coragem e a força de compreender as cinzas da morte, o curador reúne a saúde e interconexão do adubo da morte. Ambos se unem para se tornar o guerreiro sagrado. O jardim da mortalidade é por tanto, a eterna dança entre a vida-morte-renascimento e os guerreiros sagrados conhecem bem essa dança, e a respeitam. Eles honram a mortalidade e prestam homenagem à finitude ao mesmo tempo que contemplam o Infinito. Caminham conscientes da morte, pois a morte os ensina a viver. Isso lhes dá perspectiva. Desatando os nós com um punhal de amor, eles aprendem a viver bem para eventualmente bem morrer. Sua mortalidade é auto realização. Aqui, o guerreiro está em paz com o fato de que vai morrer, e é justamente essa paz que transforma o medo em combustível de coragem.

O Jardim das Sombras

“Nossa imaginação voa – somos sua sombra na terra.” ~ Vladimir Nabokov

Onde o herói integra a sombra para transformar demônios em diamantes e o curador integra a sombra para transformar feridas em sabedoria. Ambos se unem para se tornar o Guerreiro Sagrado.

O jardim das sombras é a última encruzilhada existencial. Guerreiros sagrados o frequentam para descobrir o renascimento. É no jardim das sombras que o guerreiro egocêntrico comum morre, e o guerreiro sagrado nasce com uma perspectiva centrada na alma. O jardim das sombras é diferente para cada guerreiro, mas sempre está envolto à experiências e questões espirituais e existenciais.

Noites escuras da alma são predominantes. A morte do ego é comum. A aniquilação é onipresente. Após o casulo, a sombra se torna para sempre uma aliada do guerreiro sagrado. A morte e as trevas são honradas. A dor e sofrimento são integradas. Sombra e luz se confundem. Coragem e força combinam-se com compaixão e abertura do coração para criar a vulnerabilidade absoluta da Alta Graça.

O Jardim do Desapego

“Busque a liberdade e torne-se cativo de seus desejos. Busque a disciplina e encontre sua liberdade.” ~Frank Herbert

Onde o herói pratica o desapego para encorajar a disciplina e a tolerância, o curandeiro pratica o desapego para inspirar disciplina e mente aberta. Ambos se unem para se tornar o guerreiro sagrado.

O jardim do desapego é um pivô espiritual para um crescimento superior. Guerreiros sagrados aqui vem para aprender cultivo, perspicácia e responsabilidade. Aqui, a disciplina é mais importante e é o segredo do desapego. E o segredo da disciplina é a prática. Mais especificamente, a prática que vem de uma rotina saudável. Compreendendo que é preciso ceifar hábitos que não fazem mais sentido ou não estão mais alinhados com o seu caminho, remover as ervas daninhas que sugam sua energia, permitindo que seu jardim interior floresça.

Guerreiros sagrados inspiram disciplina na rotina de cultivo do jardim, e é essa rotina que cria um crescimento desvinculado de si mesmo, onde o resultado não é associado ao seu crescimento e auto valor. É um tipo de crescimento que personifica o jardim e não o ego. Dessa forma, não se torna egoísta ou arrogante. A auto preservação fica em segundo plano, dando espaço para a auto superação.

O Jardim do Serviço

“Estratégia é um processo mental no qual sua mente se eleva acima do campo de batalha. Você tem uma sensação de um propósito maior para sua vida, onde você quer estar no caminho, o que você decidiu realizar. Isso torna mais fácil decidir o que é realmente importante, quais batalhas evitar. Você é capaz de controlar suas emoções, de ver o mundo com um grau de desapego.” ~Robert Greene

Onde o herói se torna um com todas as coisas (Deus) para honrar a humanidade através da segurança e da liberdade, o curador se torna um com todas as coisas para curar a humanidade através do amor e do serviço. Ambos se unem para se tornar o guerreiro sagrado.

Armado com a Morte como uma bússola, a Sombra como uma aliada e o desapego como uma disciplina, o guerreiro sagrado descobre o propósito mais elevado do eu como jardim e do jardim como eu.

No jardim do serviço superior, os guerreiros sagrados têm a coragem de se fazer as perguntas difíceis: “Seu caminho tem coração?” “Você está vivendo sua melhor vida?” “Sua vida tem propósito e significado?” E então eles têm a audácia de reverter essas questões na humanidade.

Guerreiros sagrados lutam pela humanidade e curam a sociedade através do poder do amor incondicional. Eles são principalmente uma força da natureza (a personificação do próprio jardim). Eles refletem o jardim para a humanidade como um espelho, refletindo as qualidades curativas e implacáveis ​​do jardim. Eles são mecanismos de nivelamento social da mais alta importância, ensinando como a humanidade está doente enquanto também tentam protegê-la de outras doenças.

Seu serviço dá ao seu propósito uma clareza que atravessa todas as coisas. Suas mentes estão claras. Suas almas são afiadas. Seus corações são antifrágeis. Com o abismo atrás deles, o horizonte está bem em frente, aberto e expansivo. O amor deles é incondicional. Sua força é implacável. O curador rega as raízes do herói. O herói abre o terceiro olho do curador. Juntos eles permanecem, vigilantes em sua proteção vital do jardim.

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Ahooo ~~ ❤ Que a força do amor, da coragem e da verdade sejam nossos escudos e espadas nessa linda caminhada que é viver na Terra, nosso grande jardim.

Artigo por Gary Z McGee em @Fractal Enligment. Tradução de YanRam para O Grande Jardim.

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Aprendendo a Manifestar a Sua Verdade Interior

“Eu Sou a Verdade e a Vida” ~ Jesus

Vamos caminhando na vida e interagindo com diferentes pessoas e situações que contêm lições e aprendizados que sempre dizem a respeito de nós mesmos e a maneira na qual percebemos e concebemos a realidade ao nosso redor. Uma lição mais valiosa que a outra com o poder de enriquecer cada vez mais o nosso auto conhecimento. Nos primórdios antigos, o homem era seu próprio livro e isso foi sendo deixado de lado com o tempo, mas sempre existiram os guerreiros que ainda buscavam em si mesmos o conhecimento da vida e eles ainda caminham sobre essa linda e fértil Terra que tanto nos ensina. A cada passo, uma nova escolha se apresenta, a cada escolha, um novo aprendizado, uma nova liberdade, uma nova realidade é possível ser experienciada.

Vivendo no Século 21, sabemos bem como somos ceifados e levados a crer que temos que trabalhar e exercer funções que gerem benefícios e lucros conforme a realidade que desejamos atingir, realidade essa vendida pela mídia como sucesso e felicidade, e nesse engano fazemos escolhas que nada tem de ver com os nossos dons naturais ou faculdades interiores que realmente nos fariam felizes. Nessa confusão e pressão social, acabamos por ingressar em carreiras cheias de objetivos e vazias de verdadeiro significado para nosso Eu Superior. Ficamos preocupados em exercer bons cargos e nos esquecemos de seguir nossa intuição e vontades, o que por si só, já é doloroso, pois ao deixar de seguir a si mesmo, passamos a seguir algum tipo de ilusão.

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A vida, porém, em sua vasta dança de sabedoria, nos traz situações que nos chacoalham e exige de nós novas respostas e comportamentos, nos mostrando os diferentes caminhos e possibilidades que temos de experienciá-la e o poder que temos de criar nossa própria realidade. Com os recentes estudos da Quântica, mais e mais pessoas tem se voltado para a questões sínteses como “Quem sou? O que vim fazer neste mundo? O que é felicidade? Eu posso ser feliz?”. Quando crianças, já exibíamos naturalmente os nossos dons&talentos, mas fomos crescendo e essas características foram muitas vezes minimizadas e até mesmo, deixadas de lado. Porém, nossa criança interior, sábia e criativa, sempre soube as respostas desses questionamentos e pede cada vez mais para ser abraçada e acolhida, nos acordando para uma realidade linda que existe enquanto todo o resto também existe, o nosso mundo interior.

Dentro desse mundo de luz&sombras (como o mundo exterior), reside o mais sagrado elo e campo de conhecimento: a consciência. Vasta e amorosa, possui toda a sabedoria do Universo Cosmos Vida. A partir do momento que decidimos nos conhecer, adentrar a floresta labirintosa do Eu, somos pegos de surpresa muitas vezes aos nos deparar com a perfeição que já somos, que já existe em nós e que muitas e muitas vezes não conseguimos imprimir no mundo externo, fazendo com o que vivemos seja diferente ou dessoante com o que somos, e as questões que surgem então são “Como manifestar a minha verdade? Como ser quem já sou? Como trazer para a Terra (matéria) a minha potencialidade?”. Nesse ponto do caminho, já passamos por deslumbramentos e desilusões ao conhecer nossa sombra e nossa luz, e as vezes até relutamos em responder essas perguntas, alegando para nós mesmos que temos papéis sociais a cumprir, que a situação/emprego que vivemos foi e pode ser a única oportunidade dada pela vida para ir conquistando ou realizando as suas aspirações de modo paralelo, como se você vivesse metade da felicidade, metade do tempo sendo e fazendo o que você realmente é e sente. Porém, essa é apenas uma fala que surge na tentativa de ainda se manter na zona de conforto.

Porque eu sei e você sabe, que se mover conforme sua verdade é e será doloroso, pois uma desconstrução terá de ser feita, uma morte terá de vir a acontecer para que haja um novo renascimento, florescimento de quem você é verdadeiramente e que tanto demorou para descobrir. É uma jornada sem volta, pois os véus que caem ou que são por você arrancados, não poderão ser recolocados…

Então, nesse momento de medo&aflição temos que invocar nosso guerreiro interior que sempre esteve pronto para desbravar a si mesmo e viver em verdade. Quando tomamos esse poder, tomamos também a responsabilidade de nossas escolhas, estamos conscientes das consequências e nasce a coragem de ser quem é! Nesse renascimento, nessa dança entre você e a energia potencial nasce também uma coragem, como um vento forte que tudo refresca e traz vigor para caminhar de uma nova maneira.

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A partir daí, você já aprendeu a transformar o seu defeito em qualidade, virando a mesa e tomando as rédeas de si mesmo, potencializando sua teimosia em perseverança, sua preguiça em foco, sua ansiedade em contemplação… O todo percebe e sente o seu guerreiro e passa a trazer novas situações conflitantes, pedindo cada vez mais que sua verdade seja então impressa… e de repente você se percebe voltando a fazer coisas que te faziam felizes na infância, se percebe com dons e talentos que você julgava impossível possuir e exercitar, quando se dá por si, já está fazendo escolhas e vivendo conforme o seu coração, a chama trina do divino agora move você e passa a se manifestar através de você de forma límpida e sem obstruções, te chamando para ajudar os seus irmãos e a contribuir com o mundo de forma saudável, respeitando a si mesmo e todos os seres que te rodeiam. Hábitos mudam, vícios são largados, comportamentos novos surgem, tudo graças ao espaço que você criou dentro de você mesmo, um espaço de amor próprio e respeito, e isso só se expande cada vez mais para tudo que você toca.

Com a auto observação e o diálogo interior é possível entrar em profundo contato com seus dons e intuir justamente como trazê-los a vida, como colocar em prática tantos saberes para a construção de uma nova realidade, que em um primeiro momento, será individual, mas que conforme você aprende a expandir, se tornará coletiva, pois uma vez que seu guerreiro levanta, vários outros guerreiros passam a se aproximar e se apresentar a você. Um novo caminho compartilhado de aspirações e verdades surge, o caminho da união para a realizAção.

Conforme você descobre e exerce um dom, outros tantos nascem em espiral e se apresentam a você, te convidam a explorá-los e camada por camada, você vai indo cada vez mais de encontro ao centro da floresta labirintosa, descobrindo que você sempre foi uma mandala de amor e de conexão, que respira e vibra junto com o todo que permeia. Você merece ser feliz, você merece viver conforme o amor que existe dentro de você. VOCÊ MERECE SIM, VOCÊ PODE SIM SER QUEM VOCÊ É. Mas você, mais ninguém, em primeiro lugar, tem de aceitar esse fato, enquanto você não der esse primeiro passo, continuará a viver escondido de si mesmo, então, eu te convido, vamos… aceite o ser de potencial de luz e amor que você é e que você pode sim, dar&receber todo o amor que existe.

Então se lembre, se lembre daquilo que você esqueceu…

Muitos mestres dizem que o despertar pode acontecer a qualquer momento através de todo tipo de interação, o meu se deu ao me deparar com chuva que cai do céu, ela está em todo lugar, como a verdade… ela cai sobre nós o tempo todo.

Bora se molhar, família ❤ Viva os dons espiralados que dançam, dançam e dançam por si dançar! Somos a clareza do Avô Sol, o mistério da Avó Lua e a fertilidade da Mãe Terra, filhos do eterno OM! Aqui e agora…

Texto por YanRam para O Grande Jardim.

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“Uma vez que você despertar, você não terá interesse em julgar aqueles que dormem.” ~ James Blanchard

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