Onde está a Psicologia nas Vertentes Orientais?

Para entendermos a psicologia no oriente é necessário compreender a filosofia oriental e, como dentro dela há várias ramificações, farei um recorte para a filosofia Taoísta que, ao contrário do pensamento que predomina o ocidente, vê o homem como um ser interpessoal. Portanto, Jung ressalta que o oriente não produziu uma psicologia relativa à nossa, e, sim, uma metafísica, na qual o termo espírito, para eles, refere-se para nós (ocidentais) “função psíquica”. Porém, vemos como espírito algo individual, que não faz parte de um espírito universal. Contudo, o ocidente deixou de ver o homem como microcosmo ao contrário do oriente. Sendo assim, complementa Silva (2007, p. 422)

“a medicina tradicional chinesa, em particular, a acupuntura, percebe o ser humano como uma unidade menor (microcosmo) dentro de uma unidade maior (macrocosmo), sendo um influenciado pelo outro, e vice-versa, no qual o primeiro faz parte incondicional do segundo e contribui para a evolução do todo.”

Ao introduzir alguns conceitos fundamentais da filosofia Taoísta, Doria et AL (2007), afirmam que o Qi (força vital) é uma energia universal sendo base para todas as coisas, tanto animadas como inanimadas, que circula nos organismos através dos meridianos. Nesta filosofia, o funcionamento do organismo, mente e corpo dependem do fluxo normal da energia Qi. Caso tenha excesso ou carência o organismo entra em desequilíbrio e adoece. Os mesmos autores mostram que, no taoísmo, o ser humano é composto por cinco elementos: Fogo, terra, metal, madeira, água. Sendo base para a criação de todo o universo e suas partes. Ao complementar, a autora Vectore diz que o Tao é a força divina que da a origem ao universo que se forma através das polaridades Yin e Yang que organizam o equilíbrio universal. Desta forma, a acupuntura, uma das principais práticas curativas da medicina tradicional chinesa (MTC), parte da filosofia oriental tanto na prática como teoria. Silva cita Faubert (1990, p.95) e explica que

“Segundo a tradição chinesa, o ser humano constitui uma só entidade energética, e não é suscetível de ser dividido. O psiquismo não pode, portanto, em caso algum, ser dissociado do físico: ambos representam manifestações diferentes da mesma energia, eles seguem as mesmas leis e estão em interdependência completa, como as duas faces da mesma folha do papel. No caso de perturbações, seja do psiquismo ou do organismo, não se poderia, em absoluto, tratar de um sem referência ao outro…”.

Logo, Vectore diz que a visão holística, adotada pela MTC, observa que as emoções e pensamentos modificam o Qi, ocorrendo o aumento ou paralisia do fluxo de energia pelo corpo. Por isso, mente e corpo influenciam uma na outra. Doria et al dizem que na MTC não se trata uma doença, e, sim, um padrão energético desarmônico/disfuncional que a causa. A saúde é o equilíbrio entre Yin e Yang, quando ambos entram em desequilíbrio ocorre o processo de adoecimento. Bastos verifica que o stress, na MTC, é um desequilíbrio energético do Qi e Dória et al complementa ao citar que a disfunção não se manifesta repentinamente, ela se desenvolve gradualmente a partir de experiências estressantes e na diminuição da imunidade, que resulta em um indivíduo doente.  Vectore (2005, p.271), parafraseando o Nei Ching “Não existe doenças, mas, sim, doentes”.

 Segundo Silva, na MTC, os desequilíbrios ou desarmonias podem ser observados em sinais físicos ou psíquicos, já que ambos fazem parte da mesma unidade. Para complementar, Silva et al dizem que a maioria dos distúrbios emocionais e psíquicos tem em sua base uma desarmonia entre as energias dos diversos órgãos do organismo relacionadas com os cinco elementos. Então, Vectore menciona que o diagnóstico na MTC tem função de reconhecer e corrigir padrões de desarmonia. Portanto, a cura ocorre quando o Qi se equilibra, e restabelece o fluxo correto de energia sendo acessados através dos meridianos por agulhas de acupuntura, por exemplo. Para concluir, Bastos ao dizer que a acupuntura, como MTC, considera o ser como holístico, ela tratará o paciente no campo físico, pelas agulhas, ao interferir diretamente no organismo e psiquismo.      

 Desta forma, conseguimos observar que a MTC, em específico, a acupuntura, baseada na filosofia Taoísta, observa o homem como um todo indivisível de corpo, mente e ambiente. Por isso, a psicologia nesta vertente, é tratada e observada como uma união interdependente das funções biológicas. Ao compreender um tratamento, como a acupuntura, por exemplo, tratará os órgãos e desarmonias emocionais reciprocamente, restaurando o equilíbrio do Qi e promovendo saúde para o indivíduo.  Portanto, a psicologia e medicina trabalham juntas nas vertentes orientais sem fragmentações ou exclusão de uma das partes.

Referências Bibliográficas

C. G. JUNG. Psicologia da Religião Ocidental e Oriental. 1969.

SILVA, Delvo Ferraz da. Psicologia e Acupuntura: Aspectos históricos, Políticos e teóricos. PSICOLOGIA CIEÊNCIA E PROFISSÃO. 2007.

DORIA, Marília conceição da Silva; LIPP, Marilda Emmanuel Novaes; SILVA, Delvo Ferraz da. O uso da acupuntura na sintomatologia do stress. PSICOLOGIA CIEÊNCIA E PROFISSÃO. 2012.

VECTORE, Celia. Psicologia e Acupuntura: Primeiras Aproximações. PSICOLOGIA CIEÊNCIA E PROFISSÃO. 2005.

BASTOS, Rodrigo Almeida. A sintomatologia do stress sob a ótica da Medicina Tradicional Chinesa. ABCS Health Sci. 2015

SILVA, André Luiz Picolli da. O tratamento da ansiedade por intermédio da acupuntura: Um estudo de caso.  PSICOLOGIA CIEÊN5CIA E PROFISSÃO. 2010.

Artigo de Pedro Alegria, Psicólogo. Compartilhado com O Grande Jardim.

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