7 Formas que a sociedade atual usa para alimentar o medo

“O medo é a dor que surge da antecipação do mal” ~ Aristosteles

Método 1: Más Notícias

A sociedade em que vivemos está quebrada e ruindo há muitos anos, e isso não é segredo pra ninguém, nós todos sabemos isso. Há muitas teorias e indagações sobre o porquê desse estilo de vida estar dando tão errado, já falamos sobre isso antes aqui no Jardim. Leia também: Seu estilo de vida já foi designado – Vivendo no Séc. 21

Mas hoje vamos falar sobre os métodos usados (nefastos ou não) para nos alimentar com o medo e seus efeitos prejudiciais e desastrosos em nossa vida psicológica e consequentemente, no sistema como um todo.

Doutrina de choque? Sem dúvidas, podemos definir assim. Esse método é implantado em ordem de nos distrair e distanciar do verdadeiro horror que aplaca nossa sociedade. Somos bombardeados com crimes sangrentos e atos perturbadores feitos pelos cidadãos e vamos nos tornando cada vez mais temorosos. Mas estranhamente, cada vez que ocorre um desastre, algum ataque terrorista, incêndio em algum monumento, uma guerra que começa, nós o povo, perdemos alguma lei ou direito humano constitucional em ordem de justificar uma nova forma de controle que previna tais atos. A mídia faz a sua parte, dando enfoque principal nos perigos que podem vir acontecer e como o corte de algum direito é importante para manter algum tipo de controle preventivo ilusório.

Método 2: Materialismo

Você precisa, você realmente precisa. Você não será completo enquanto não tiver. Olhe como é lindo e brilhante. Se você não tiver, você não será suficientemente bom ou não estará na moda, o que é um tipo de pensamento bastante perigoso. Em uma sociedade que hipervaloriza os bens materiais e o ter, que mede o valor humano pelo o que se possui de bens é perigoso. Passamos a nos validar e julgar nós mesmos e uns aos outros por aquilo que possuímos ou não. Consequentemente, isso gera rejeição e ainda mais exclusão. E nós sabemos que quando somos rejeitados e excluídos da tribo, as chances de perecemos é maior. Se você não tem, você não presta, não serve e também não é digno de amor. Mas, todos querem ser amados, não? Mas como você não tem, você não é merecedor.

Observe as celebridades e os modelos de sucesso para encontrar a conduta correta e a forma de chegar ao topo da cadeia materialista. Eles vão te mostrar como agir, como se vestir e falar. Mas mesmo assim, você ainda não estará saciado, afinal novas tendências sempre irão surgir para manter essa forte hipnose. Então, compre, compre.

Método 3: Dessensibilização

Com tantas imagens de horror nos cercando e chegando até nós todos os dias, de pessoas morrendo ou matando, passamos a considerar essas vidas como meros números que fazem parte de alguma porcentagem. Se torna algo banal e passa a não ter mais tanta relevância. Ao mesmo tempo, a mídia que mostra um pôster pra caridade de crianças passando fome, em seguida, exibe a imagem de uma modelo photoshopada com algum novo acessório da moda. Para o observador, ambas imagens não se relacionam, isso o dessensibiliza, criando assim um véu e vácuo de separatividade.

Método 4: Separação

Esse método é tão antigo quanto Roma, “dividir para reinar” é a palavra de ordem. Deixe os cidadãos polarizados (sem se darem conta de que são iguais em necessidades e direitos) e brigando entre si. Faça cada um se importar só consigo mesmo e pela luta de suas conquistas pessoais. Deixe de lado sua família, sua casa, seus amigos. Se torne linear e não cíclico, viva em uma caixa separada de todos os outros e foque no seu sucesso, não se deixe distrair. Não se perceba parte integrante de uma sociedade, não reconheça a classe que você faz parte. Foque apenas em você.

Conecte-se sim com os outros, mas apenas via Wi-Fi. Afinal, tudo que você precisa está online. Não saia da sua casa, há poluição, trânsito, crimes, vírus e terrorismo. Foque apenas no que está a sua frente, de preferência, no futuro que lhe trará a satisfação material e dinheiro na sua conta bancária. Amém.

Método 5: Acusação

Seguindo a cartilha do Capitalismo, não ser aceito e não se perceber pertencente à sociedade é um medo que aflige todos nós. Fazemos de tudo então para sermos validados e aceitos pelos meios que nos é ofertado. Deixamos de lado quem realmente somos para nos encaixar em um padrão, e quem não segue esse padrão geralmente sofre sendo afastado, excluído e marginalizado. Temer essa exclusão, nos leva à temer uns aos outros. De sermos acusados ou cancelados. Ah, vale lembrar também que atualmente somos incrivelmente responsabilizados por tudo que nos acomete. O sistema responsabiliza os cidadãos por suas misérias, nos separando do todo (causa e efeito da própria estrutura social) e nos jogando à mercê do nosso próprio destino. A sociedade persegue nossas fraquezas, que inclusive, fazem parte da natureza humana. Mas atualmente, se torna algo mórbido, onde nossos olhos só vêm os defeitos e debilidades de uns aos outros, ao invés de olharmos para as engrenagens que fazem esse sistema girar.

Método 6: Poção

Não! Não coma alimentos que te façam sentir bem. Coma apenas a comida industrializada e brilhante das vitrines do super mercado. Você acha que é capaz de produzir sua própria comida? Pensa novamente. As sementes já foram alteradas e requer tempo para você colhê-las. Você não prefere gastar esse tempo em busca de sexo? Ou melhor ainda, comprando? Plantar seu próprio alimento é difícil e desnecessário, e olha, nós já até embalamos tudo em sacolas plásticas brilhantes. Até já deixamos as frutas e vegetais nas primeiras sessões do mercado, para quando você chegar nos industrializados não precisar se sentir tão mal por estar comprando esse tipo de comida. Codificamos os ingredientes maléficos e continuamos mudando a sua nomenclatura, assim vocês não perdem tempo tentando compreender quais os efeitos desses alimentos em seus corpos. Ah, nós também nos certificamos de iluminar o supermercado com tons anestesiantes e com música otimista para ajudá-lo a se dissociar enquanto faz compras. Aproveite!

Método 7: Conformidade

Em meio a tudo isso, muitos de nós nos vemos conformados. As vezes, até questionamos como poderíamos fazer diferente, mas nos vemos com poucas opções de rota de fuga. O sistema que vivemos é estrutural e tira de nós o acesso à informação, ao estudo e a oportunidades que alavancariam não só o indivíduo, mas a sociedade como um todo. E essa conformidade é ensinada em idades precoces esmagando a criatividade de nossas crianças. Desde pequenos somos ensinados que para sermos amados, a única coisa que precisamos fazer, é seguir a cartilha do jogo. Estude, compre, case, tenha filhos, compre, morra. Por meio de uma série de provas e situações, a criança rapidamente aprende a não levantar a sua voz ou pensar por si própria. Com o passar do tempo e já sem opção de escolha, o que é criado a partir da nova geração então procede os passos dos antecessores. Claro que há aqueles que se sobressaem e que lutam pelo novo, porque o espírito humano tem um potencial fenomenal e isso é maravilhoso, mas tem o risco de ser esmagado por meio dos outros métodos que citamos aqui.

Mas sabem, nem tudo está perdido. Afinal, já conseguimos ver os grilhões que insistem em nos acorrentar e a nossa consciência tem expandido, percebendo que todos somos Um e que compartilhamos angústias, dores e anseios. Chega de ficarmos uns contra os outros, é hora de se levantar contra os pilares fundamentais dessa sociedade em ruínas, desse capitalismo irracional. Que a chama do nosso coração por verdade e justiça não se apague jamais.

Trago aqui o discurso atemporal de Charles Chaplin no filme “O Ditador”. Nós o povo temos o poder, mas precisamos nos unir.

Quis trazer esse artigo para que possamos continuar a refletir e abrir os olhos para os véus que são colocados sobre nós. Que possa reverberar em percepções e ações em prol do progresso humano. A luta continua e nois segue traficando informação, como a gente sempre fez.

Artigo de YanRam aka @divina.massagem para O Grande Jardim.

>> Por favor, lembre-se de compartilhar trechos ou textos completos do blog sempre com os devidos créditos! <<

Leia também:

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2 comentários em “7 Formas que a sociedade atual usa para alimentar o medo

  1. é profundamente triste e perturbador pensar que milhões nasceram e morreram nessa manipulação, nessa prisão sem grades…. sem nunca se quer perceberem nada.

    não é fácil seguir em frente diante de tanta crueldade…

    Curtido por 1 pessoa

    1. É, Fernando, concordo com você, realmente não é fácil…
      Ao menos conseguir ver, enxergar os macetes nos dá a oportunidade para agir em outra direção, não nos deixar engolir como o sistema quer que façamos, mas ao contrário, nos unir na percepção da necessidade de mudanças e sermos seres ativos nessa caminhada. Gratidão por compartilhar aqui seu comentário! Vamos juntos.

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