Desperte e Pare de Aprender pela Dor e pelo Sofrimento

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 “O sofrimento é realmente necessário? Sim e não. Se você não tivesse sofrido o que sofreu, não teria profundidade como ser humano. O sofrimento é necessário até que perceba o que não é necessário.” ~Eckhart Tolle

Será que é necessário pegar o caminho mais difícil e árduo para aprender?

O sofrimento é opcional. Dificuldades, insatisfações, dores e problemas fazem parte da nossa existência, e há causas por trás de tudo isso. As dores e obstáculos da vida podem nos incomodar, nos fazer chorar, nos entristecer, porém fazem também algo muito interessante: nos tiram da zona de conforto, nos inspiram, nos estimulam a aprender e evoluir durante nossa caminhada. As dores nos fazem sentir vivos, nos dão oportunidades para crescermos, mas é preciso ter cuidado para não nos viciarmos nelas. Quando criamos apego a dores e hábitos negativos, mesmo que inconscientes disso, geramos sofrimento. Não me refiro apenas a dores emocionais, mas também a dores físicas geradas por doenças que a vida nos traz. Eckhart Tolle nos ensina que um dos principais métodos de se livrar do sofrimento é se entregar verdadeiramente às situações e ao momento presente. É preciso enfrentar as dificuldades e querer superá-las, querer sua própria cura. É preciso sair do papel de vítima e aceitar a situação. Não é necessário contar quantas vezes vomitou durante uma doença, mas sim sentir o sabor do vômito e perceber que ainda está vivo, lembrar que cada experiência é passageira.

“Uma coisa é a gente ter dor e sofrer com isso; outra é dizer: ‘Está doendo, mas por que vou sofrer, passar mal? Você pode ter a dor e não achar que ela é algo ruim, pode transformá-la”. ~ Lama Michel Rinpoche

Nada em nossa vida e neste universo é permanente. Tudo está em constante transformação. Talvez possamos dizer que a única coisa permanente é a impermanência. Nossa vida inevitavelmente terá um fim. A compreensão e aceitação desses fatos nos liberta do sofrimento da certeza de que iremos morrer um dia, e ao mesmo tempo nos lembra que cada segundo é muito precioso e que devemos ser muito gratos por ainda estarmos vivos e também por tudo o que já passamos. Devemos ser gratos não só pelas experiências boas, mas também pelas experiências ruins que tivemos em nossas vidas e nos fizeram conhecer dores e caminhos obscuros, pois para aprender certas coisas na vida é necessário conhecer o seu oposto. Para conhecer a Luz e seu valor, precisa-se das sombras e das trevas, para conhecer o desapego, precisa-se conhecer o apego, para conhecer o amor, precisa-se conhecer a ausência dele que gera tantos outros sentimentos como ódio, raiva, ignorância e indiferença. Esses opostos se completam, um não existe sem o outro, assim como yin-yang.

Outras fundamentais ferramentas para nos mantermos afastados do sofrimento são a consciência e o autoconhecimento. Nossa consciência, diferentemente do ego, nos ajuda a entender e enxergar com muito mais clareza as situações e os sentimentos que passam por nós no decorrer da vida. Com a consciência é possível identificar e acabar com a repetição de padrões destrutivos que nos fazem sofrer e atraem negatividade para nossas vidas.

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No budismo, pessoas frequentemente conscientes são chamadas de pessoas “despertas”, que já acordaram das ilusões do ego, nosso Eu inferior. O trecho a seguir é do interessante livro “A Sabedoria da Transformação” da Monja Coen:

Despertar

Há cavalos que correm ao ver a sombra do chicote.
Há cavalos que correm ao receber uma chicotada no lombo.
Há cavalos que só correm ao receber uma chicotada que lhes corte a carne.
Há cavalos que só correm quando a chicotada chega até seus ossos.

Essa analogia foi feita por Buda, há mais de 2600 anos. Nós, seres humanos, podemos ser comparados a quatro tipos de cavalo. O primeiro, ao saber de um acidente grave em algum país distante, percebe a transitoriedade da existência, desperta para a vida e passa a viver com alegria e dignidade, procurando o caminho do perfeito despertar. O segundo, quando a morte ou o sofrimento se manifesta em alguém conhecido publicamente, mas sem intimidade pessoal. O terceiro tipo são as pessoas que só despertam quando alguém muito próximo, íntimo, sofre ou morre. E o quarto só desperta quando a própria morte está próxima.

Tenho alguns discípulos que brincam comigo: ‘A senhora se esqueceu de mim. Não me identifico com nenhum desses quatro cavalos. Sou o burro, sou a mula empacada, que parece jamais perceber a verdade e apreciar a vida com plenitude’. Ao dizer isso, porém, já estão em outro plano de consciência. É nesse nível que a conexão neural se faz e nos liberta. Mas da mesma forma que todas as sinapses neurais, se não forem insistentemente estimuladas, deixam de se conectar, praticantes do caminho precisam estar em contato com os ensinamentos e com outros praticantes. Se abrirmos um caminho na mata – com dificuldade e ferimentos- e não passarmos por ele novamente, em pouco tempo esse caminho se fechará.
Buda dizia: ‘É difícil para um ser humano despertar para a mente iluminada e, ao mesmo tempo, é a mente mais fácil de se perder’.”

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Portanto, para evitar os caminhos da dor e do sofrimento, é preciso estar consciente, desperto e presente no AGORA. É preciso não cultivar hábitos, sentimentos e ações negativos, como ódio, raiva, preguiça, ignorância e apegos. Cultivando coisas boas, positivas e benéficas podemos aprender pelo caminho do bem, do amor, da harmonia, da gratidão e pelo caminho da Luz!

Nasmastê _/\_

Texto de Caio Martins

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