11 Ensinamentos do Tao Te Ching

 

 

“O que existe por si mesmo se chama Tao

TAO –  significa o ABSOLUTO. É a totalidade, incluindo o visível e o invisível. é o ser e o não-ser juntos. TAO, em chinês apresenta três sentidos, ao mesmo tempo: é “caminho”, é “caminhante” e a ação de caminhar; por conseqüência analógica, o TAO é, ao mesmo tempo, o Criador, o Criado e a criação. O TAO, como Criador, é o VAZIO e a FORMA, e a transformação que une os dois. Os Três são Um. O TAO não se limita em nome, forma, sentido, ou qualquer outra coisa; todas as coisas, no entanto, são parte do Tao e as formas do TAO se expressar.

Ideograma do dào, 道

O significado do TAO pode ser alcançado pela análise da composição do ideograma: TAO em ideograma arcaico. Dividindo-se o ideograma em quatro partes:

Parte 1: As três linhas horizontais correspondem ao trigrama Chien (símbolo) do I Ching: a linha superior é céu (ilimitado), a do meio é o homem (intermediário) e alinha inferior é terra (limitado).

Parte 2: É um homem sentado com as mãos postas à frente; tem os sentidos de parar, silenciar e meditar.

Parte 3: É um rio ou água corrente: tem os significados de fluidez, movimento e naturalidade, a consciência do tempo e da impermanência no Universo.

Parte 4: É a junção de uma linha vertical com o símbolo

que originou-se de que significa “visão”. E uma forma de olho na vertical; é a visão transcendental: a união dos dois forma a palavra “Eu”.

Conclusão:

1. A junção das partes 1 e 2 (lado direito) forma a palavra “ação” para a união de TRÊS em UM, é a Arte da Transformação (Alquimia) e a sagração do Homem (IMORTAL).

2. A junção das partes 3 e 4 (lado esquerdo) forma a palavra que significa “cabeça”, “líder” ou “início”; é a consciência (visão) do EU impermanente e da constante transformação no universo concreto e Não-concreto.

3. A junção das quatro partes significa a conscientização da impermanência e a realização da união para a Eternidade.

4. O ideograma nos revela que o TAO é vivência, é Alquimia, é filosofia viva e não um puro jogo intelectual, sendo, por isso, fundamental integrar o Tao à vida

Lao Tzu escreveu os 81 pequenos poemas que receberam o título de Tao Te Ching, comumente traduzido como O Livro do Caminho e da Virtude, e é uma das mais conhecidas e importantes obras da literatura da China. Foi escrito entre 350 e 250 a.C. Sua autoria é, tradicionalmente, atribuída a Lao Tsu (literalmente, “Velho Mestre”).

Já contamos um pouco da história do Lao Tzi em outro post que você pode conferir > Leia: As Quatro Leis para a Vida por Lao Tsu

Hoje traremos alguns dos desses poemas para a reflexão pessoal de cada um e integração em sua vida cotidiana, se permita sentir tais ensinamentos através de todos os seus sentidos…

Porque não há explicação suficiente que se faça entender o que é verdadeiramente o Tao, pois ele só pode ser sentido e vivido…! 

I

“O Caminho que pode ser pronunciado, não é o Caminho eterno. 
O Nome que pode ser proferido, não é o Nome eterno.
Ao princípio do Céu e da Terra chamo de “Não-ser”
À mãe dos seres individuais chamo de “Ser”
Dirigir-se para o “Não-ser” leva à contemplação da maravilhosa Essência; dirigir-se para o “Ser” leva à contemplação das limitações espaciais.
Pela origem, ambos são uma coisa só, diferindo apenas no nome.
Em sua Unidade, esse Um é mistério.
O mistério dos mistérios
É o portal por onde entram as maravilhas”

II

“Se todos na Terra reconhecerem a beleza como bela,
dessa forma já se pressupõe a feiura.
Se todos na Terra reconhecerem o bem como o bem,
desse modo já se pressupõe o mal.
Porque Ser e Não-ser geram-se mutuamente.
O fácil e o difícil se complementam.
O longo e o curto se definem um ao outro.
A voz e o som casam-se um com o outro.
O antes e o depois se seguem mutuamente.
 
Assim também o Sábio:
permanece na ação sem agir,
ensina sem nada dizer.
A todos os seres que o procuram
ele não se nega.
Ele cria, e ainda assim nada tem.
Age e não guarda coisa alguma.
Realizada a obra,
não se apega a ela.
E justamente por não se apegar,
não é abandonado”

IV
“O Tao flui sem cessar.
No entanto, na sua atuação, ele jamais transborda.
Ele é um abismo; parece o ancestral de todas as coisas.
Abranda sua dureza.
Desata seus nós.
Modera seu brilho.
Une-se com a sua poeira.
É profundo, mas como é real!
Não sei de quem ele possa ser filho.
Parece ser anterior a Deus”

XI
Trinta raios convergem para o meio de uma roda
Mas é o buraco em que vai entrar o eixo que a torna útil.
Molda-se o barro para fazer um vaso;
É o espaço dentro dele que o torna útil.
Fazem-se portas e janelas para um quarto;
São os buracos que o tornam útil.
Por isso, a vantagem do que está lá
Assenta exclusivamente
na utilidade do que lá não está.

XII
“As cinco cores cegam os olhos do homem.
Os cinco sons ensurdecem os ouvidos do homem.
Os cinco sabores estragam o paladar do homem.
Correr e caçar alienam o coração do homem.
Bens raros trazem confusão à vida do homem.
Por isso o Sábio trabalha para atender as necessidades do corpo e não às da visão.
Ele adota uma coisa e rejeita a outra.”

XIV
 
“Procuramos por algo que não vemos: seu nome é “semente”.
Procuramos por algo que não ouvimos: seu nome é “sutil”.
Procuramos por algo que não sentimos: seu nome é “pequeno”.
Essas três coisas são inseparáveis.
Por isso, entrelaçadas, formam Um.
Seu aspecto superior não é luminoso.
Seu aspecto inferior não é escuro.
Nascendo continuamente,
não se pode nomeá-lo.
Ele retorna ao Não-ser.
A isso dá-se o nome de forma sem forma,
imagem sem objeto.
A isso dá-se o nome de caos misterioso.
Indo ao seu encontro, não lhe vemos o rosto;
seguindo-o não lhe vemos as costas.
Quando nos apegamos ao caminho antigo
para dominar o Ser de hoje,
podemos conhecer o velho princípio.
Isso quer dizer: o fio condutor do Tao.

XV
 
“O que, em tempos remotos, eram Mestres eficientes
estavam secretamente unidos com forças invisíveis
Eram tão profundos que não se podia conhecê-los.
Por não poderem ser conhecidos,
só a muito custo é possível descrever seu aspecto exterior.
Hesitantes, como quem cruza um rio no inverno,
cautelosos, como quem teme os vizinhos de todos os lados,
discretos, como hóspedes,
desvanecendo, como o gelo que se derrete,
simples, como a matéria não trabalhada,
eles eram amplos como o vale,
impenetráveis ao olhar como o que é opaco.
Quem pode (como eles) no silêncio iluminar um pouco as trevas?
Quem (como eles) pode traduzir pouco a pouco a serenidade?
Quem permanece nesse Tao
não deseja abundância.
Porque, só por não ter abundância,
é que ele pode ser humilde,
evitar a novidade e atingir a realização.”

XVI
“Cria em ti o vazio até o grau mais elevado!
Preserva tua serenidade até o estado mais completo!
Depois, tudo pode elevar-se simultaneamente.
Eu vejo como as coias evoluem,
Todas as coisas, por mais diversas que sejam,
retornam à sua raiz.
Retomar à raiz significa serenidade.
Serenidade significa voltar ao destino.
Voltar ao destino significa eternidade.
Conhecimento da eternidade significa clareza.
Quem não conhece a eternidade,
acaba em confusão e pecado.
Mas quem conhece a eternidade,
torna-se tolerante.
A tolerância leva à justiça.
À justiça leva ao Céu.
O Céu leva ao Tao.
e este à continuidade.
Durante toda vida não se corre mais perigo.”

XIX
“Abandonem a santidade, joguem fora o saber
E o povo ganhará cem vezes mais.
Deixem de lado a moralidade, atirem fora o dever e o povo voltará ao dever filial e ao amor.
Abandonem a habilidade, joguem fora o lucro e não haverá mais ladrões e assaltantes.
Nesses três casos, não basta ter boa aparência.
Cuidem, portanto, para que os homens possam confiar em alguma coisa.
Mostrem simplicidade, apeguem-se à honestidade!
Diminuam o egoísmo, moderem os desejos!
Renunciem à erudição!
Estarei livres de preocupações.”

XLI
Quando um estudioso mais sábio ouve falar no Tao,
Abraça-o com zelo.
Quando um estudioso médio ouve falar no Tao,
Pensa nele de vez em quando.
Quando um estudioso inferior ouve falar no Tao,
Ri-se às gargalhadas.
Se ele não risse
O Tao não seria o Tao (o Caminho).

XLVIII
Na busca do conhecimento, todos os dias algo é adquirido,
Na busca do Tao, todos os dias algo é deixado para trás.
E cada vez menos é feito
até se atingir a perfeita não-ação.
Quando nada é feito, nada fica por fazer.
Domina-se o mundo deixando as
coisas seguirem o seu curso.
E não interferindo.
~*~

Segue áudio-mensagem muito profunda sobre a Sabedoria do Silêncio Interior.

~*~
Gratidão Lao Tsu por sua divina sabedoria! Pessoalmente, percebo que o Tao pode ser sincronizado a diversos conhecimentos, e muitos estudos se desenvolveram a partir dele como o Hui Ming Ging: Livro da Consciência e da Vida e O Segredo da Flor de Ouro! Quem sabe, em breve falemos deles aqui também.

Mais uma vez, é um prazer compartilhar mais essa linda árvore no Jardim.

Fonte: Tao Te Ching – O livro do sentido e da vida e Sociedade Taoista do Brasil
Elaboração: YanRam

Por favor, lembre-se de compartilhar trechos ou textos completos do blog sempre com os devidos créditos!

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Sobre YanRam

Capricorniana, com a cabeça nas nuvens e o pés na terra. Parte do mistério do Multiverso. Eterna aprendiz.

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