O Elevador para o Nirvana: O Caminho do Paradoxo

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“Não se engane – a iluminação é um processo destrutivo. Não tem nada a ver com tornar-se melhor ou mais feliz. Iluminação é desfazer-se da inverdade. É ver através da fachada de pretensão. É a erradicação completa de tudo o que imaginávamos ser verdade. ” ~ Adyashanti

Nunca duvide do maravilhoso poder da sua imaginação. Quando se trata de transcendência, há mais de uma maneira de tirar a pele do gato de Schrödinger. Quando se trata de experienciar estados elevados de consciência, há mais de uma forma de chamar a cobra do Kundalini das profundezas do inconsciente coletivo. Quando se fura a Pedra Filosofal da Verdade, há mais de um caminho para chegar à pílula vermelha, apesar de estarmos cercados por viciados na pílula azul. Entre o “real” e o “irreal” há um terceiro elemento: a imaginação, metamorfose, uma ponte poderosa da transubstanciação. Como Anthony Mello disse uma vez, “Você tem que compreender que a menor distância entre a verdade e o ser humano é uma história”.

Então permita-me à te levar em uma história…

Imagine que você é herói cósmico de Ernest Becker, um novo tipo de herói com coragem e imaginação espiral que floresce, usando as táticas dos Jogadores do Infinito, apesar do jogo finito do status quo. Imagine que você é o Além-Homem de Nietzche, aquele que constantemente supera a ilusão de si mesmo. Imagine agora que um elevador aparece na sua frente, do nada. (assemelha-se a: toca do coelho, a pílula vermelha, chamando a aventura). Agora atreva-se a entrar no elevador.

O Paradoxo do Auto-Engano: “Talvez ninguém tenha sido verdadeiro o suficiente sobre o que a verdade é” ~ Nietzsche

Imagine que o elevador está se movendo rapidamente ao centro do Universo, em um Buraco Negro tão gigante que subsume o Universo em cada “ponto”. As paredes do elevador se desintegram. O espaço negro vazio passa a ser sua plataforma. Um ser aparece à sua frente tomando um copo de café e se auto intitulando de Mad Allsgood, seguido por uma longa fila de codornas que ele se refere como “Codornas Qualia” que arrastam atrás de si até o infinito. Ele é o Homem Holográfico, e você ouve atentamente enquanto ele filosofa sobre a realidade perceptiva (fenomenal) e a realidade efetiva (númeno):

“O aspecto da realidade que cria as diferenças entre a realidade perceptiva e a efetiva é uma questão de conceituação do finito e infinito. A realidade perceptiva (consciência) é finita e a realidade efetiva é infinita. Quando um observador consciente percebe uma realidade infinita utilizando faculdades finitas, um paradoxo ocorre. Esse paradoxo é o que  chamamos de realidade, a realidade perceptual (fenomenal). É uma sub-realidade da realidade infinita real (númeno).  A única razão pela qual o conceito de infinito parece paradoxal é porque a própria consciência é paradoxal. A realidade é um ser infinito. Infinito é a ordem natural da realidade. É a observação consciente do que é finito, e portanto, paradoxal… Ah! Me desculpe. Eu esqueci de perguntar se você gostaria de um copo de café Qualia. Eu garanto que você saboreará diferente de mim. Saúde!”

Indo mais além, a Verdade não é um destino mas uma jornada. Tal jornada requer flexibilidade e adaptabilidade. A estabilidade é alcançada ao abraçar a mudança. O equilíbrio é obtido através da união dos opostos. A verdade não está aqui nem lá, mas em algum lugar fora de alcance. A verdade não é um fato acabado colocado para fora ordenadamente pelo Universo apenas nos esperando para descobri-la. A verdade é um instrumento concebido pelos seres humanos como eles interagem em um ambiente psicossocial dentro de um maior cosmos antropomorfizado. A verdade humana sempre será vista através do viés humano.  Não há simplesmente nenhuma maneira de saber o que é realmente verdade ou não, sem observação humana confundindo-o. Como Carl Sagan uma vez disse, “A única verdade sagrada da ciência é que não existem verdades sagradas.”. Mas isso não quer dizer que alguns aspectos da verdade não possam ser encontrados.

É por isso que a imaginação é mais poderosa que o conhecimento. As coisas mudam. A verdade de ontem pode se tornar o alicerce psicológico de hoje. A verdade-como-certeza pode muito bem ser o último Red Herring (aquilo que nos leva a acreditar falsamente). Mas as idéias revolucionárias colocam tais noções de verdade em xeque-mate. Chegando a atual “verdade” de diferentes ângulos, transforma o pensamento estabelecido em pensamento radicalizado. Que às vezes, é a única maneira, parafraseando Niels Bohr, para chegar à verdade profunda oposta da outra verdade profunda. Como José Ortega y Gasset enigmaticamente declarou: “O homem que descobre uma nova verdade científica teve que esmagar os átomos de quase tudo o que tinha aprendido, e chega à nova verdade com as mãos manchadas de sangue da matança de milhares de platitudes.”

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O Paradoxo da Auto-Revelação: “Você tem que levar a sério a noção de que compreender o Universo é sua responsabilidade, porque a única compreensão do universo que será útil para você é o seu próprio entendimento. “ ~ Terence Mckenna

Enquanto vocês bebem seu café Qualia, o Homem Holográfico continua se referindo à você como Zeno. Você tenta dizer-lhe que seu nome não é Zeno, mas ele simplesmente não dá ouvidos. “É compreensível”, diz ele, “que você esteja mais inclinado à acreditar no que suas memórias e sentidos estão lhe dizendo, do acreditar em experimentos quânticos, como o Teorema de Cantor, os Teoremas de Incompletude de Godel, O princípio da incerteza de Heisenberg, a Equação de Schrodinger e os Paradoxos de Zeno estão lhe dizendo (númeno imperceptível). Afinal, você está apaixonado por sua própria percepção. De fato, a percepção é a sua realidade (fenomenal perceptual), mas a história e a ciência tem mostrado de tempos em tempos, que as suposições com base na percepção e bom senso individual geralmente estão erradas.

No entanto, seu nome pode ser ou não Zeno, mas de acordo com a minha percepção e para nosso propósito aqui, seu nome é Zeno. Mais especificamente, você é a Flecha de Zeno. Mas, eu também sou. E não apenas nós dois somos flechas-zeno humanizadas em movimento / não em movimento infinito através do “tempo” e “espaço”, mas em um círculo infinito (reta), como também ambos estamos dentro da trombeta de Gabriel, que está sendo soada dentro do Hotel Infinito de Hilbert.

E aqui, na minha mão, eis que o todo-poderoso chamado mais ínfimo “comprimento de Planck” testificou que ao cortá-lo pela metade em “comprimentos” cada vez menores, há o infinito… Acontece que o centro do universo está em toda parte fractal: o infinito dentro de um espaço finito. Imaginando a si mesmo como a Flecha de Zeno voando através do tempo e espaço é uma poderosa maneira de enxergar como o Movimento é real perceptível, mas ilusório, na verdade. Você chegou a perceber que as noções de Tempo e Espaço são construções criadas pelo homem em relação aos momentos finitos de tempo perceptual.  Até mesmo o comprimento de Planck é uma criação humana que o universo não tem nenhuma obrigação de aderir. Você é tanto infinito (na verdade) e finito (perceptualmente). Entre as noções de finitude e infinitude existe um campo quântico da realidade espalhada, onde existe o tudo e o nada, ao mesmo tempo que você existe como Você aparentemente separado de tudo.

Nossas mentes agora estão borbulhando, de fato. Isto nos leva ao absurdo, mas é como um cérebro finito percebe uma realidade infinita. Como disse Albert Camus, “A recusa absurda do herói à esperança se torna sua capacidade singular de viver o presente com paixão.” E sua recusa à esperança o conduz à auto-libertação.”

O Paradoxo da Auto-Libertação: “Na minha experiência, todo mundo vai dizer que querem descobrir a verdade, mesmo até que eles que percebem que a verdade vai roubá-los das suas mais profundas ideias, crenças, esperanças e sonhos. A liberdade da iluminação significa muito mais do que a experiência do amor e da paz. Isso significa descobrir uma verdade que vai transformar a sua visão de si mesmo e da vida de cabeça para baixo. Para quem está realmente pronto, será inimaginavelmente libertadora. Mas para alguém que ainda está agarrado de alguma forma, isso vai ser extremamente desafiador, de fato. Como sabe-se eles estão prontos? Se está pronto quando se estádispostos a ser absolutamente consumido, quando se dispõe a ser o combustível para um incêndio sem fim. ” ~ Adyashanti

“Então o que tudo isso significa?” Você pergunta.

“Significa tudo”. Ele diz. “Mas também não significa nada.”.

Quando realmente percebe-se isso, é sua responsabilidade individual trazer significado à tudo. Tal é o poder da imaginação humana: a capacidade de criar significado dentro construções inerentemente sem sentido. Você está vinculado por leis cósmicas? Com certeza. Você está limitado pelas leis da natureza? Claro. Mas dentro dessa construção aparentemente finita há um cosmos infinito com o qual se pode brincar.

Aqui está o ponto: nós temos uma tendência de confundir o que é perceptivelmente real com o que é realmente real. Perceptivelmente, a Terra é plana, mas na verdade é esférica. Perceptivelmente, o Sol gira em torno da Terra, mas, na verdade, a Terra gira em torno do Sol. O Tempo perceptualmente é uniforme, mas, na verdade, o tempo é relativo. A realidade perceptiva é finita, mas, na verdade, a realidade é infinita. Perceptualmente, o princípio da polarização-finita é paradoxal, mas na verdade a própria percepção é paradoxal.

Perceptualmente tudo acontece em momentos diferentes, mas, na verdade, tudo acontece neste momento. Talvez o aspecto mais fundamental da consciência é o viés do cérebro em finitude. Sem esse viés natural, a consciência não seria consciência. Seria ubiquidade. Seria tudo e nada, infinito e um com todas as coisas, a maneira como a realidade realmente é.

No final, não há nem a infinitude nem a finitude, mas observação consciente que o torna. Que é mais uma razão para brincar. Como Sir Isaac Newton disse: “Para mim eu sou apenas uma criança brincando na praia, enquanto vastos oceanos de verdades não descobertas se apresentam perante à mim.” E aqui estamos nós, a praia acaba por ser um fractal infinito (ou não, mediante observação), e estamos infinitamente fascinados por ela (ou não).

~~ ***~~

Este belo artigo foi escrito por Gary Z McGee, um ex-especialista da inteligência da Marinha que virou filósofo. É o autor de “Birthday Suit of God” e “The Looking Glass Man”. Suas obras são inspiradas pelos grandes filósofos dos séculos e sua visão ampla acordada do mundo moderno.

Todos os estudos citados estão linkados no texto, confira!

Leia também: Percepção vs. Realidade – A Ciência do Cérebro

Tradução: NM

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