Transcendendo a Personalidade: Eu sou ninguém e você também

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“Tentar definir si mesmo é como tentar morder seu próprio dente”  – Alan Watts

Personalidade é definido como: ”O conjunto de qualidades emocionais, formas de comportamento, etc. que torna uma pessoa diferente da outra; qualidades atrativas que tornam algo diferente ou interessante” . Na teoria, isso soa maravilhoso..vai de encontro no beco do ego rs. Para ter qualidades ou comportamentos que nos torne ÚNICOS, DISTINGUÍVEIS e DIFERENTES de outras pessoas soa como uma receita perfeita para reforçar nossa sensação de separação perante os outros. Mas a nossa personalidade é quem realmente somos? E quem decide o que nossa personalidade é?

Já que nossa perspectiva perante nós mesmos pode ser tremendamente diferente da perspectiva de outra pessoa, quem estaria correto quando se trata de definir nossa “personalidade” especificamente? Uma das principais propriedades do nosso ego é uma ânsia de significado e um desejo de ser diferente do outro. Essa ânsia pode se manifestar em inúmeras formas. Pode ser nos adjetivos que usamos para nos descrever, “Eu sou assertivo e agressivo, eles são passivos e fracos” ou “Eu sou o tipo de pessoa de coração quente, enquanto eles são insensíveis e frios” ou “Eu sou um pensador profundo, enquanto eles são rasos” são todos conceitos que temos em nossas mentes sobre quem nós somos, e a maneira como enxergamos os outros, que também se manifestam através do comportamento.

Por exemplo, em determinada situação ou circunstância, ao invés de reagir com seu instinto natural, nós podemos encontrar a nós mesmos visitando nosso hd para verificar as “formas que são aceitáveis para responder baseado em quem ‘eu sou’ (ou quem eu acho que sou)”. Por causa disso, é bem provável que percebamos nós mesmos reagindo da mesma maneira várias vezes aos mesmos tipos de situações na nossa realidade exterior, porque nós nos limitamos às opções disponíveis que coincidem com o nossa “personalidade” individual. Entretanto, quando começamos a existir unicamente nesses conceitos de quem sou e se apega a definição de si mesmo e dos outros, você está limitando a si mesmo perante ao que você pode se tornar e, consequentemente, limitando-se de ser capaz de ver as outras pessoas pelo que elas realmente são … ninguém. Para ressoar em seu próprio ninguém e começar a ver o ninguém nos outros, primeiro deve-se transcender o pensamento de quem você é e do que os seus pensamentos são compostos. Mas isso é possível? É possível transcender a personalidade?

“Nós estamos vivos no presente momento, o único momento para estarmos vivos” – Thich Nhat Hanh

A personalidade só pode decorrer do apego a uma ideia. Você talvez tenha idealizado uma versão de quem você gostaria de ser, ou de que forma você gostaria que o mundo te enxergasse, o que passa a ser reforçado a nós mesmos a nos convencer de quem nós somos. Além disso, podemos ter pego pedaços do que outras pessoas disseram sobre nós e nos apegarmos a esses rótulos. Por exemplo, se um número suficiente de pessoas te disseram que você é engraçado, é bem provável que você comece a acreditar que é engraçado. Ou se elas te disseram que você não é engraçado, é bem capaz que você adote essa noção. Contudo, todos esses conceitos dependem da memória, a fim de sobreviverem rs. Nós nos lembramos de como reagimos em certa situação, nos lembramos de quem decidimos que gostaríamos de ser e como agir de acordo com essas crenças, ou nos lembramos do que alguém disse e agora nos comportamos de acordo com a maneira que tal pessoa decidiu nos definir. Ao escolher ser e agir como sempre se agiu é tornar-se prisoneiro do passado. Mas no momento presente, a personalidade não pode existir, apenas o ser pode, pois a personalidade é baseada em conceitos e apegos à ideias, no momento em que começamos a explicar nossa personalidade ou ponderar como devemos reagir a algo, baseado em quem nós fomos no passado, ou em como queremos ser vistos pelos outros, é ser imediatamente transportado do presente momento para nossa perspectiva da mente do momento presente.

Sim, sentimentos como raiva ou tristeza também podem existir no momento presente.

Eles podem ser experienciados e sentidos da mesma maneira como eles chegam e vão embora. Talvez tenhamos sentido raiva 20x em um dia, mas isso não significa que somos uma pessoa raivosa. Significa que sente-se raiva. Sentimos e assim que ela nos deixa, pode-se ver que não tem nada a ver com quem realmente somos. O menos que tentamos definir nossa personalidade nos permite ser qualquer coisa que surja no momento. Nós talvez experienciemos tristeza, alegria, fúria, mas não nos apegaremos à nenhum deles, e tampouco nos deixaremos definir. Quando fazemos isso, percebemos que as outras pessoas com que lidamos também não são suas personalidades, mas apenas uma mera presença. Eles podem experimentar surtos de depressão ou raiva, mas como nossas próprias emoções, isso não é quem nós somos, mas apenas um sentimento que nós sentimos em um determinado momento, nem são eles.

Se tornar “ninguém”. Reconhecer que todos que você encontra em sua jornada são “ninguém”. Deixe a combustão espontânea das emoções e sentimentos virem naturalmente e as experiencie por completo sem se apegar as qualidades….

Algumas vezes você pode se sentir generoso e gentil, e em outros momentos, ciumento e invejoso, mas não é o seu trabalho julgar as emoções por si próprias, mas sim senti-las. Ao experienciar a energia das emoções ao invés de julgá-las, você percebe que você não é suas qualidades, características e atributos. Você é apenas a presença que existe no momento presente… na qual a realidade é nada nem ninguém, e assim como todos. Em nosso completo desapego à personalidade e ancoragem completa na presença, só uma coisa pode surgir … o amor.

“Você, como qualquer ser no universo, merece o seu amor e afeto” – Buddha

Leia também:

Escrito por Nikki Sapp ; Modificado e Traduzido por YanRam para O Grande Jardim.

Espero que te cutuque! rss Até a próxima 🙂

Por favor, lembre-se de compartilhar trechos ou textos completos do blog sempre com os devidos créditos!

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7 opiniões sobre “Transcendendo a Personalidade: Eu sou ninguém e você também”

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