Animais: Os Guias Espirituais II – A transmutação e a morte do Ego

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“Todos os seres compartilham a mesma respiração – o animal, a árvore, o homem … o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém.” ~ Chief Seattle

Esse artigo é a segunda parte de “Animais: Os Guias Espirituais”, você pode conferir clicando aqui!

A Cobra

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Amplamente conhecido como chthonic (sig. pertencente ao submundo) ou ‘Earthbound’ (sig. preso/apegado a terra), o símbolo da serpente tem recebido uma conotação mista durante séculos. Para os gregos, é a Medusa. No cristianismo e no islamismo ela é retratada como a que tentou Eva. Para os egípcios, a má sorte que foi lançada para a cidade de Tebas, que dizem ter sido construída em base de uma serpente gigante. Para outras culturas, a cobra é um símbolo de saúde e medicina.  A Taça de Higéia, Caduceus e o bastão, o Rod Asclepius denotam a cura farmacêutica enquanto na Índia o animal é adorado como os deuses, a cobra que envolve seu caminho ao redor dos pescoços de Vishnu e Shiva. Nagraj é o Rei das Serpentes, e muitos acreditam que a cobra é também um símbolo de fertilidade. Pessoas com o conhecimento curandeiro das cobras são muito raras. Eles são capazes de tirar suas velhas peles e transmutar qualquer poção, o que pode torná-los seres temidos mas também poderosos médicos, capazes de divergir entre a linha da vida. Acredita-se na cultura Maya que se você ver uma cobra talvez seja um sinal de que IxChel, a deusa do parto, esteja tentando entrar em contato com você rs. É por essa razão que a cobra é frequentemente associada com o Divino Feminino – como em muitas religiões, foi transmitido para aprofundar a incompreensão e o ódio das mulheres – a serpente é um conto mal-compreendido da noite; tentador aos curiosos que buscam adquirir conhecimento como um passo inevitável no caminho para a iluminação. Primeiro temos de suportar o sofrimento do saber, a fim de crescer.

A cobra simboliza o ciclo do Samsara, o ciclo da vida, morte, iluminação e transformação. A totalidade transitória que deve ser vivida como parte impermanente do ciclo… doloroso e difícil como o processo de nascimento, mas mal compreendido pelo ego como uma ameaça. Representa o elemento fogo; e é através desta temida e amada força que ele continua o seu ciclo de criação e destruição. Como a deusa hindu Kali, a cobra e fogo nos mostram que a destruição é necessária a fim de criar; e que ambos os estados são iguais. A energia do fogo, quando no plano material, cria a paixão, o desejo, a procriação e a realidade física. No plano emocional, é a ambição, criação, resolução e sonhos. No plano mental é o intelecto, o poder, o carisma e a liderança. No espiritual, é a conexão com o divino e os grandes mistérios do universo. Muitas vezes visto como um pesado fardo, a energia da cobra e o poder do fogo são os eternos elementos do Xamã; a dança sagrada com os poderes mais apaixonantes e intimidantes. A cobra utiliza a dor como uma maneira de transformar, um caminho a ser trilhado pelo indivíduo, a cobra é rara e procurada pelo médico. A quem tenha digerido todos os venenos dolorosos dentro de si mesmos, a fim de queimar os males do pensamento negativo e a dúvida que levou a doença no corpo e inação no espírito.

O Morcego

camazotzOutra criatura mal compreendida, meio ave e meio roedor que se pendura de cabeça para baixo e é ativo a noite, se tornou o símbolo ocidental da bruxaria, mas para os mesoamericanos, este animal é um símbolo de renascimento. Entre algumas tribos, como a Creek e Apache o morcego é um espírito trapaceiro e que atormenta os seres, talvez para beber seu sangue e como a cobra, em última análise representa o mal. No oeste da Nigéria e na mitologia Oaxacan, o morcego representa a inveja, o desejo de ser algo que você não é. A feiura do morcego muitas vezes é confundido com o seu verdadeiro propósito. Entretanto, na mitologia Tongan, ele é o companheiro, a manifestação física do ser separado, e na Catalunia é admirado por ser um “dragão alado” da batalha e o símbolo representativo do soldado. Para os astecas, nos rituais de Toltec e Tolucan, o morcego é a criatura mais sagrada e simboliza para os xamãs a morte do ego. Se pendurando de cabeça para baixo, ele é como o Homem Arranjado do tarot, que contempla o sacrifício e enxerga o mundo com uma perspectiva diferente. A morte do ego abraça Kali no momento da destruição, como a cobra que deixa sua pele, o pendurar dos morcegos simboliza o enforcamento que lança suas noções sufocantes de self e a identidade para renascer e ser liberado para voar para os mistérios da noite. A caverna do morcego pode ser visto como um símbolo de sua sepultura – o confronto com a inevitabilidade da morte vai nos libertar de nossas lutas contra a nossa própria morte.

Nosso espírito morcego nos guia e encoraja a deixarmos as velhas formas e a energia estagnada para nos libertar na escuridão e encarar nossa mortalidade. A morte do ego só pode vir quando liberamos a nós mesmos dos seus aspectos; luz e trevas. A inveja, a feiura e o mal assumido da cobra e do morcego são para a compreensão sobre os nossos desejos. O xamã e seu caminho solitário visionário; é vaiado pela multidão que o reprime por estar confrontando sua própria feiura e a amando da mesma forma. É uma parte necessária do caminho que vai contra o fluxo, embora temido e odiado, é a forma de se aproximar do renascimento num plano superior..

Ambos animais simbologicamente representam a morte do ego, o abrir mão dos desejos incansáveis… Sobre essa reflexão, deixo também um vídeo de Allan Watts, a Ilusão do Ego. Para traduzir, vá em legendas, Português. 

Este belo artigo foi retirado do site Fractal Enlig. e traduzido por NM. Espero que gostem e que o auxiliem a compreensão espiritual dos aspectos da vida.

Até mais! 😉

Por favor, lembre-se de compartilhar trechos ou textos completos do blog sempre com os devidos créditos!

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2 opiniões sobre “Animais: Os Guias Espirituais II – A transmutação e a morte do Ego”

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